quarta-feira, 9 de novembro de 2016

NUNCA TE ESQUECI, SEMPRE TE AMEI

LIVRO
Nunca Te Esqueci, Sempre Te Amei

O suplício de uma mulher apaixonada, dividida entre o amor e o dever.

Com o telefone na mão e o olhar perdido na escuridão do quarto, Susannah pensava na loucura de concordar com aquele encontro no meio da noite.
Dan e ela não eram mais os dois jovens enamorados de dez anos atrás, quando os rancores e as brigas constantes os separaram.
Agora, apesar do passado turbulento ainda por explicar, para ficar com ele Susannah teria que desistir de sua carreira. E, se o fizesse, estaria aniquilando uma parte de si mesma.
Mas como negar que ainda o desejava, talvez com maior fúria que antigamente?

Capítulo Um

Uma abelha entrou pela janela da centenária sala do tribunal de River County, embriagada pelo calor e pelos aromas da morna manhã de abril, enchendo o ambiente com seu zumbido.
Sentado a uma das mesas, esperando que a juíza entrasse, o advogado Dan Sullivan mantinha-se alheio ao ruído do inse­to, ouvindo apenas aquele nome que soava sem cessar em sua mente: juíza Susannah Ross. Folheando distraidamente a pasta de documentos à sua frente, mal tomava conhecimento da presença de seu cliente, na cadeira ao lado, ou de Robert Corwin, o advogado da companhia de seguros, na outra mesa, um oponente respeitável que viera de Los Angeles para repre­sentar a firma naquele caso.
Susannah Ross. Tentou tirar o nome do pensamento como fizera durante os últimos dez anos, quando não o pronunciara em voz alta uma única vez. Naquele momento, porém, o nome teimava em torturá-lo com uma insistência de enlouquecer, envolvendo-o em lembranças pungentes de uma felicidade per­dida, enchendo-o com as sombras de um velho ressentimento.
Com o nome de Susannah voltava a dor quase esquecida e ele se martirizava imaginando se não seria melhor largar tudo e ficar o mais longe possível daquele tribunal e da recém-nomeada juíza.
Ainda não percebida por Dan, a abelha fez uma rápida ma­nobra ao redor da cadeira colocada sobre o tablado do juiz e desceu sobre as mesas destinadas aos advogados, dispostas em forma de "L". O outro advogado observava-a nervosamente e ficou visivelmente aliviado vendo-a voar na direção de Dan.
— Dan! — Corwin chamou a meia-voz. — Essa filha da mãe deve estar gostando da sua loção de barba. Mate-a, homem, ou será picado.
Dan ergueu a cabeça com expressão absorta e demorou alguns segundos para perceber o que acontecia. Vendo o inseto que o rodeava, chegou a pensar em permitir que o ferroasse. Talvez fosse uma daquelas abelhas bem ferozes cuja picada lhe daria uma desculpa para largar o caso e esperar que o sócio sarasse e assumisse a tarefa em seu lugar; mas, azarado como era, ine­vitavelmente aquela seria uma abelhinha ordinária, que o dei­xaria apenas com um calombo ridículo no nariz e não o livraria do trabalho nem da provação de se ver frente a frente com Susannah. E encarar qualquer juiz com nariz de palhaço não era algo que o seduzia.
Alarmado pelo próprio raciocínio, gelou diante do perigo. Logo, porém, o esboço de um sorriso curvou-lhe os lábios. Se aquele advogado criado na cidade, o Corwin, pensava que ia vê-lo apavorado pela abelha e ferroado por ela, estava redon­damente enganado. Havendo crescido numa fazenda, Dan sabia, desde a mais tenra idade, que o único jeito de defender-se de um inseto voador era ficar imóvel. E foi o que fez.
A abelha zumbiu ao redor de seu rosto, chegando a esbarrar em uma das faces, mas não o atacou. Depois de alguns segun­dos, cruzou a sala e saiu pela janela.
Dan relaxou os músculos e ajeitou-se na cadeira. O ar amea­çava tornar-se opressivo e já fazia bastante calor para um começo de primavera, mesmo considerando-se o clima quente da Califórnia. O servente fechou os vidros das janelas e ligou o ar-condicionado, mas ele continuou a sentir as palmas das mãos úmidas.
Aquele era um sintoma da ansiedade que o perseguia desde que iniciara a carreira de advogado, doze anos atrás, não podendo ser atribuído nem ao calor nem à umidade exagerada do ar, como acontecia ali em Cacheton.

Um comentário:

  1. Olha gente não é culpa da autora, pois o livro é muito bem escrito, porém a trama é que não nos prende a atenção, tornando a leitura cansativa. O livro gira em torno de uma eleição para juiz e um grande julgamento, e assim ficou pouco espaço para o romance propriamente dito... Confesso que li até o final a duras penas!

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